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Um pouco da minha maluquice, com um pouco disso aĆ­ mesmo.
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018


Sinopse Oficial:
O ano é 401 a.C.. Ciro, o Jovem, contrata um exército de mercenÔrios gregos para punir um sÔtrapa rebelde, mas secretamente deseja derrubar do trono do Império Persa seu irmão Ataxerxes. Entre os soldados gregos um jovem espartano tenta provar seu valor em meio a combates sangrentos, em seu interior outra luta se desenrola entre o amor de duas mulheres. Amor, honra, lealdade, coragem, podem tais valores sobreviverem à uma guerra? Ficção e fatos históricos se mesclam para criar uma obra única.

Encerrando com a última leitura concluída do ano e a última resenha também.
Depois da surpresa da última leitura resolvi dar uma chance a outra obra nacional, que me foi recomendada e falo um pouco dele mais abaixo. Conclui sua leitura em três dias e me pegava esperando ter oportunidade para ler mais um pouco. De fato a história me cativou.
O livro conta a história de Perseu, um Espartano que entra no exército para uma missão mercenÔria a serviço de Ciro.
A obra trabalha bem a formação dos soldados, mostrando de forma muito interessante como eram os campos de concentração Espartanos e como os homens eram entregues ainda crianças em poder do Estado e onde sua única função era se tornar um soldado. Todo o sofrimento e crueldade que as crianças passam para se tornarem soldados corajosos no futuro são muito bem mostrados.
As cenas de batalha sĆ£o interessantes. Ɖ óbvio que por ser um amante de Cornwell, Ć© quase impossĆ­vel nĆ£o comparar. Sendo sincero a qualidade nĆ£o se compara, mas sĆ£o interessantes. Contam tambĆ©m com um problema que falo mais abaixo.
Os personagens tambĆ©m sĆ£o bem desenvolvidos e cativantes. Ɖ fĆ”cil se pegar torcendo por Perseu ou seus irmĆ£os de guerra.
As notas de rodapé são excelentes e muito explicativas, elas complementam a leitura para aqueles que tem poucos conhecimentos dos deuses e da religião da antiga Grécia.
O livro acompanha Perseu da infância até a luta na Pérsia contra Ataxerxes, o rei Persa. Não, não é spoiler pois se trata de uma obra que acompanha a história rs.

Porém, nem tudo são flores e deixo aqui os pontos negativos que achei.
Infelizmente o maior defeito do livro Ć© que ele Ć© excessivamente repetitivo em diversos pontos. Seja nas descriƧƵes, diĆ”logos, adjetivos ou atĆ© nas cenas. por exemplo: AtĆ© certo ponto o livro segue muito bem, porĆ©m ao iniciar a marcha para a guerra segue sempre a mesma coisa. Anda-se um pouquinho e luta, anda mais um pouquinho e luta. Alguns capĆ­tulos nĆ£o tĆŖm absolutamente nada de relevante, Ć© apenas um ‘anda um pouquinho e luta’. Isso deixa o livro longo e cansativo de forma desnecessĆ”ria, principalmente porque depois de tantas as lutas acabam parecendo sempre ser a mesma coisa.
Achei que faltou uma história melhor definida também, o final é muito simples e corrido, não passa aquela sensação de obra encerrando, sabe? Sei que tem mais livros depois, mas ainda assim podia ter sido feito de uma forma melhor trabalhada.
A linguagem por vezes parece estar em desacordo com a época. Não sou nenhum especialista, mas algumas vezes me senti desconectado do mundo devido a forma de alguns personagens falarem.
Um outro ponto, que não chega bem a ser um defeito, mas é desnecessÔrio, é a quantidade de cenas de sexo. Voltando ao primeiro ponto, elas são bem repetitivas, principalmente as descrições de Perseu sobre Artemísia. Não vejo problemas com cenas de sexo, mas o livro é cheio delas e elas não acrescentam nada na história e nem são cenas bem escritas. São simplórias e, pasmem, repetitivas. VÔrias poderiam ter sido cortadas e algumas melhor trabalhadas.


Resumindo, acho que falta um trabalho editorial. Isso Ć© comum em obras independentes. As vezes um olhar fresco e desapegado emocionalmente da história pode fazer maravilhas por ela. Certeza que um editor mudaria algumas coisas e cortaria outras para dar mais dinamismo no livro. A repetição incomoda, e muito, depois de certo tempo.  Estou agora na metade do livro II e os pontos negativos aqui extrapolam deixando uma leitura repetitiva e extremamente cansativa, sem acontecimentos. Apesar de estar na metade, a história continua na fórmula ‘anda e luta um pouquinho’. A vontade de abandonar a leitura Ć© bem grande. Talvez parta para outra trilogia, que conta a história de ArtemĆ­sia para ver se esses pontos sĆ£o reduzidos.
Ɖ uma obra excelente. Um ótimo trabalho histórico que mescla bem pitadas de um romance com um pano de fundo histórico. Acho que os fĆ£s de Esparta vĆ£o adorar ver como era a vida naquele tempo.
Aproveite o primeiro volume pois aparentemente o segundo não começa bem.

A RETIRADA DOS DEZ MIL: LIVRO I - M.C. BIJALON 
Nota: 9/10





quarta-feira, 10 de outubro de 2018


Sem paciĆŖncia e muito saco para escrever algo mais elaborado tentarei ser bem sucinto.

Achei um livro incrível. Um Terror (TERROR mesmo, não horror) psicológico de altíssima qualidade.

Ɖ um livro com uma linguagem meio estranha, bem diferente do usual. Por jĆ” ter lido outro livro da autora eu sabia que seria algo meio incomum mesmo, mas quem nĆ£o conhece Ć© bom saber.

A premissa Ʃ bem comum, seja pq o livro inspirou outras obras ou outras obras inspiraram o livro, mas Ʃ a clƔssica: Um grupo vai em uma casa assombrada investigar fenƓmenos paranormais.
O problema comeƧa quando um dos personagens comeƧa a se envolver demais, daƭ a loucura comeƧa.

A autora deixa TUDO subentendido. Nada Ć© explĆ­cito. Ɖ difĆ­cil saber se a porta bateu por causa de um fantasma ou se foi o vento. Algumas cenas nĆ£o se sabe se Ć© imaginação ou lembranƧa.

Toda essa mistura cria uma ansiedade constante, o que leva o leitor a buscar respostas.
Nem todas virão, outras ficarão a cargo do leitor concluir.

O livro nĆ£o foca em sustos ou coisas grotescas, o foco Ć© a ansiedade, Ć© a pulga atrĆ”s da orelha, Ć© aquele “SerĆ”...?” que perdura na mente no final do parĆ”grafo.

Como pontos negativos eu cito a linguagem um pouco confusa. A tradução é excelente, a autora que tem uma escrita um pouco confusa as vezes mesmo.

Outra coisa que particularmente odeio, é o estilo americana que utiliza aspas no diÔlogo, muitas vezes no mesmo parÔgrafo. Gosto da forma que fazemos, parÔgrafos separados e com o uso do travessão, uma pena a editora optar por isso.

Resumindo: IncrĆ­vel... Assustadoramente IncrĆ­vel!

A Assombração da Casa da Colina - Shirley Jackson
Nota: 9/10



segunda-feira, 17 de setembro de 2018


Livro bonito, bem feito, ilustrado, colorido e ainda baratinho. Nem parece coisa da Martin Claret.

O livro traz uma seleção de 8 contos de fadas Celtas.

Leitura rÔpida e agradÔvel com lindas artes internas. Fiquei realmente surpreso com essa edição, tudo muito caprichado.

Apesar de o título e a sinopse dizerem que são histórias de princesas, nem todos os contos giram em torno delas, alguns elas mal aparecem.

Meus contos preferidos foram os abaixo, mas não achei nenhum ruim:
CabeƧa-Pequena e os filhos do rei,
Guleesh,
O pastor de Myddvai,
Connla e a donzela encantada,

Como um bom conto de fadas, temos de tudo aqui. Não são versões infantilizadas da Disney, mas são bem fantasiosas. Temos bigamia, assassinatos, mortes, invejas e tudo mais.

Gostei mais do que imaginei que iria. Os contos originais passam aquela sensação de infĆ¢ncia ao mesmo tempo em que vocĆŖ estĆ” lendo sobre algo bem adulto (e errado, nos dias de hoje). Ɖ uma sensação bem interessante, recomendo que todos experimentem.

Princesas e Damas Encantadas: Contos de Fadas Celtas - Joseph Jacobs
Nota: 9/10

quinta-feira, 31 de maio de 2018


Stephen King é um daqueles autores que escrevem livros como se fosse aquela pessoa mais velha que senta do seu lado, te pega pela mão e diz: Vem cÔ que eu tenho uma boa história para te contar.
E ele faz isso mesmo.

Joyland é curto, simples, íntimo e... profundamente melancólico. SK não é chamado de mestre à toa.

Seguimos a história de Devin Jones, um jovem que é largado pela namorada e precisa lidar com as dores do rompimento do primeiro amor, até que descobre que um assassinato aconteceu no parque de diversões em que trabalha. Curioso ele decide pesquisar sobre aquele acontecimento horrível que aconteceu em um lugar tão mÔgico.

Parece simples demais né? E é mesmo, mas o que muda tudo são as pessoas. Sim. SK é mestre em criar personagens incríveis.

A história desse livro é aquele tipo de história que podia ter acontecido com um vizinho ou um parente seu. VÔrias coisas do protagonista aconteceram COMIGO por exemplo, e é isso que faz a obra do mestre ser tão aclamada. Apesar de ter algo fantasioso, afinal é ficção, as histórias de SK são aquelas histórias quase verdadeiras, que alguém te conta. A sensação é sempre essa.

E o final? Dolorido e surpreendente, principalmente por ser uma obra de SK (que tem sƩrios problemas em terminar seus livros).

O ponto negativo fica talvez para o mistério, que não é nada de outro mundo, porém a obra não é sobre isso e nem esse é o objetivo dela, então não é algo que atrapalhe.

Joyland é com certeza a melhor obra para começar a ler SK. Simples, direto, melancólico e humano.

Bem-vindo ao mundo do mestre.
Agora senta aqui que ele vai te contar uma história.

Joyland - Stephen King
Nota: 9/10

terƧa-feira, 22 de maio de 2018


Misture Asimov com Philip K Dick, insira cenas Ôgeis cheia de robÓs, uma escrita Ôcida, Ôgil e divertida; bata tudo com uma boa dose de thriller policial e recheie com pensamentos filosóficos.
Adicione uma baita capa foda como cobertura.

Pronto, isso resume bem esse livro.

Scalzi jĆ” Ć© bem conhecido lĆ” fora justamente por esse seu estilo de escrita bem diferente do convencional.

A história em si nĆ£o Ć© nenhum primor de inovação. O livro Ć© quase como que uma homenagem a grandes nomes da FC e algumas coisas da cultura pop. O livro Ć© cheio de referĆŖncias, na verdade elas sĆ£o bem explicitas mesmo, e isso nĆ£o estraga, só realƧa esse “tempero”.
Os personagens são simples, mas é fÔcil você entrar na onda deles. O mundo é melhor trabalhado que os protagonistas, talvez seja uma característica de thrillers policiais medianos, e apesar disso a história funciona e desenvolve bem.

Com uma escrita Ôgil e empolgante mesmo que o mistério não seja nada fora do comum, ele é interessante o suficiente para saber como esse mundo funciona.
As discussƵes filosóficas que ele levanta tambĆ©m sĆ£o bem interessantes e bem trabalhadas. Ɖ bem capaz de te fazer refletir um pouco mesmo sem perceber, devido a leveza em que tudo Ć© feito, nĆ£o Ć© agressivo como normalmente Ć© feito.

A parte policial é realmente deixa um pouco a desejar, não é ruim, mas não é um primor, apesar de muito bem-feita e construída.
O final do livro eu também achei que poderia ser melhor, não a conclusão do problema e sim a forma como ele foi finalizado. Não sei explicar bem, mas senti que faltou algo mais.

Apesar de ter adorado o livro, sinto que realmente faltou algo aqui. Gostei muito, muito mesmo. Livro leve, divertido e moderno; mas fica um gostinho de quero mais no final. (Isso Ć© bom?)

Recomendo demais a leitura. Grande aposta da Aleph e não vejo a hora de ter mais material do Scalzi por aqui.

Encarcerados - John Scalzi
Nota: 9/10