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Um pouco da minha maluquice, com um pouco disso aĆ­ mesmo.
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018


Esse foi um livro que me causou sentimentos conflitantes, porém interessantes. Finalizei sua leitura em apenas três dias. Pra mim é algo incomum que sou bem lento no ritmo de leitura.

Gostei da obra, principalmente da sua complexidade e originalidade. O autor, um premiado escritor de ficção cientifica nacional, executa mais um bom trabalho, tratando questões como preconceitos, privacidade, guerras e mais.

Octopusgarden acredito que possa ser considerada uma space-opera, mas não só isso jÔ que o livro se passa menos no espaço e mais no planeta dos Dolfinos (descendentes dos golfinhos, promovidos a espécie racional pelos humanos).
O livro gira em torno desses e da nave humana que faz inspeções periódicas ao planeta Bluegarden, cedido a seus pupilos. As coisas se complicam quando uma raça desconhecida é encontrada no planeta dos Dolfinos e isso abala toda a vida no planeta.

Porém, não posso negar que alguns problemas me afastaram da leitura perfeita. Cito os abaixo.
  • ·        A capa e a sinopse do livro sĆ£o desleais com seu conteĆŗdo. Desde a psicodelia das cores atĆ© a sinopse e a citação de ser um romance erótico, nĆ£o fazem jus a história, jĆ” que nada disso Ć© entregue dessa forma. O livro conta com umas 3 cenas de sexo e as mesmas sĆ£o bem curtas e sucintas. Apesar de achar que elas simplesmente nĆ£o sĆ£o necessĆ”rias, pois nĆ£o alteram nem enriquecem a história, ainda assim sĆ£o tĆ£o curtas que sua existĆŖncia em nada prejudica o livro e sĆ£o cenas interessantes valorizando o prazer feminino.
  • ·        O autor falha um pouco nas discriƧƵes fĆ­sicas de seus personagens. Tirando um ou outro humano, o que facilita por jĆ” termos o formato na mente, a maioria eu nĆ£o consegui imaginar. Queria ter entendido melhor como eram as espĆ©cies alienĆ­genas. NĆ£o que isso seja um problema absurdo, mas vale salientar.
  • ·        O livro Ć© mal dividido, talvez seja erro editorial ou de diagramação, mas ele podia ser melhor separado; faltam indicaƧƵes de que terminou uma parte ou um arco e se iniciou outro. Como o ritmo Ć© muito Ć”gil, Ć© comum vocĆŖ estar lendo sobre uma coisa e na pĆ”gina seguinte jĆ” serem outros personagens em outro lugar e outro espaƧo-tempo. Essas quebras bruscas na narrativa nĆ£o eram representadas nas pĆ”ginas, e acabam incomodando, pois te deixa perdido na leitura. Isso foi algo que me incomodou bastante.
  • ·        Falta um PUNCH no enredo. Falta plot mesmo. A história promete muita coisa, mas nĆ£o entrega, e quando entrega Ć© feito de forma desleixada. As explicaƧƵes sĆ£o muito diretas e muito simples, sem CLƍMAX. Criam-se os suspenses e as curiosidades, mas nĆ£o as soluƧƵes. Muitas pontas ficam abertas e sĆ£o simplesmente abandonadas. A história do romance Ć© quase como que um acompanhamento da vida de alguns personagens, só que sem acontecimentos muito pertinentes.
  • ·        O final do livro tambĆ©m deixou a desejar, justamente pelas faltas de marcaƧƵes. O livro simplesmente termina sem responder nada e na pĆ”gina seguinte jĆ” se inicia o material extra, que Ć© um conto do autor (nesse mesmo universo). Isso me frustrou demais. Eu estava esperando a conclusĆ£o do livro e ela simplesmente nĆ£o chega. Ele nĆ£o entrega as coisas que promete dentro da história. Fala-se sobre um mega combustĆ­vel, mas nĆ£o se explica nada. Inicia-se uma guerra, mas ela Ć© resolvida de uma pĆ”gina pra outra. Personagem A tem um ataque de fĆŗria, mas de um parĆ”grafo pra outro jĆ” se passaram dĆ©cadas. Ɖ algo bem frustrante!
  • ·        O pecado maior do livro talvez seja esse. Por se tratar de uma prequel, talvez respostas sejam dadas no outro volume, porĆ©m muita coisa fica aberta e acredito que nĆ£o faƧa parte do universo do próximo volume (publicado anterior a este). Uma pena!
Apesar das falhas e duras críticas, o livro me ganhou. A escrita do autor é muito boa, muito sagaz. O ritmo do livro é bem intenso e cheio de coisas novas o tempo todo. A originalidade também é ponto muito positivo, principalmente por um gênero não muito comum de se ver autoria nacional. O livro conta também com personagens interessantes e muito bem trabalhados. A PennyLane é simplesmente incrível!
NĆ£o espere plottwists, respostas ou discussƵes mega filosóficas. Ɖ uma spaceopera mas Ć© tambĆ©m uma história simples sobre a vida dos protagonistas, sem muitos acontecimentos fora do comum. DĆŖ uma chance e conheƧa novas espĆ©cies desse mundo novo e veja humanos de uma forma nada convencional.
E o conto A filha do Predador é genial, um ótimo conto de Ficção Cientifica!

Octopusgarden - Gerson Lodi-Ribeiro
Nota: 8/10


quarta-feira, 10 de outubro de 2018



Mais um livro retratando contos de fadas em suas versões originais. Esse volume dÔ sequencia a contos de fadas Celtas e diz focar mais nos heróis masculinos.

Mantendo a qualidade do volume anterior, temos alguns contos melhores que outros, sem dĆŗvidas.

Meus preferidos foram:
Uma lenda de Knockmany
O pretendente de Olwen
Jack e seus camaradas
O cavaleiro dos Enigmas.


Ɖ interessante ver quĆ£o diferente Ć© a história original para a que se difundiu entre o pĆŗblico infantil. Mesmo nĆ£o conhecendo nenhum desses aqui, Ć© possĆ­vel notar alguma semelhanƧa com as histórias contadas pelos mais velhos em nossa infĆ¢ncia.
Algumas tem valores, outras apenas diversão, mas num geral, clÔssico é clÔssico e vale ser conhecido.

Heróis muito espertos - Joseph Jacobs
Nota: 8/10

sexta-feira, 14 de setembro de 2018


Vi em algum lugar dizer que o livro Ć© um YA, talvez por isso ele seja assim.

Ele Ć© Ć”gil, o protagonista Ć© um ‘herói’ e a história nĆ£o perde tempo. AtĆ© que faz sentido se pensar na juventude de hoje.
Ressalto que até acho ela bem madura em relação a seus temas para os que normalmente são tratados em obras YA.

Acho também que o fato de ser declaradamente uma YA justifica o fato das personalidades dos personagens se alterarem com tanta frequência e de todo mundo ser impulsivo demais. Isso cria identificação com o adolescente. O mundo dele é basicamente isso. JÔ foi o meu e jÔ foi o seu também.

A história gira em torno de um jovem príncipe que iria se tornar tipo um padre, faltava pouco para ser aceito na seita e da noite para o dia descobre que é o novo rei. Ele que jamais esperou por isso jÔ que não estava na linha de sucessão, é pego de surpresa e rapidamente é levado a assumir seu trono.
Uma traição ocorre e ele quase é morto. Agora, querendo se vingar, vai fazer de tudo para que paguem.

O plot parte daƭ e vai girar em torno dessa vinganƧa. AtƩ aƭ nada muito novo, certo?

Mais ou menos. Apesar da premissa jÔ conhecida, o autor consegue inserir diversos plot twists sem perder a mão. Mesmo não sendo nada derretedor de mentes ainda é uma alternada inesperada no caminho o que dÔ bastante agilidade a narrativa.

Alias, esse livro nĆ£o conhece freio. Ɖ quase que um livro-filme de ação.

O autor não perde tempo desenvolvendo seus personagens, talvez o que disse mais acima justifique isso, talvez não. Nem o protagonista achei bem trabalhado, muitas vezes ele é só chato, como um bom adolescente que se preze.

Algumas coisas achei Deus Ex Machina demais também, tudo bem que é fantasia e tudo mais, mas ainda assim algumas vezes parecia um conto de fadas mais que uma fantasia. (tem diferença? Fica aí a reflexão pra vc pq pra mim não interessa)

Resumindo: Ć© um livro interessante, principalmente se vc ler sem se preocupar muito, algo leve e rĆ”pido só pra distrair. Ɖ importante tambĆ©m saber que vocĆŖ talvez nĆ£o seja o publico alvo. No mais, se vocĆŖ gostar de historias rĆ”pidas e frenĆ©ticas, quase um roteiro de Transformers, acho que vocĆŖ tem tudo pra apreciar. O livro Ć© bom e divertido. Tem diversas frases de efeito e um mundo com uma guerra prestes a acontecer.

Divirta-se.

Meio Rei - Joe Abercrombie
Nota: 8/10

segunda-feira, 16 de julho de 2018


Vi muitas pessoas comentando que este era um livro de horror, que o protagonista era m anti-heróis e etc.
Bem, eu não acho que seja horror da mesma forma que não acho que Cipriano seja um anti-herói. Se trata de uma fantasia urbana e um suspense, com um toque excessivo de gore (que é lindo) e Cipriano é um herói, boca suja e de preferencias fora do convencional.

Cipriano Ʃ um Padre (sqn) que trabalha para uma ordem secreta do vaticano, onde Ʃ responsƔvel por lidar com o sobrenatural. Quando uma criatura comeƧa a torturar e matar pessoas corruptas famosas, em lives no Youtube, se auto intitulando o novo Messias, Ʃ hora de entrar em cena.

Sinto que mais uma vez minha expectativa me traiu. Eu esperava algo bem diferente. A quantidade de elogios a obra é enorme. Não achei ela ruim, o livro conta com algumas cenas sensacionais e é preciso pontuar que hoje em dia, encontrar alguém com coragem e culhão para descrever tal cena e mexer com tais arquétipos de nossa sociedade, é algo bem raro.

Porém, nem tudo são flores, algumas coisas realmente me incomodaram.

Cipriano é uma mistura de Constantine + CSI + Seu Boneco. Ele é OverPower DEMAIS e acho que o livro sofre um pouco com o que chamo de "efeito supersayajin". Quando seu protagonista é poderoso e fodão demais, você precisa enfraquecer todos os inimigos, isso fica um pouco chato e forçado. Cipriano é interessante, mas forçado demais. Ao invés de empatia eu acabava ficando meio de saco cheio dele e pegando ranço.

O nível de poder, por exemplo, é outra que me incomoda bastante... O que para muitos o fato dessa salada de criaturas sobrenaturais existirem seja uma coisa boa, para mim fica bobo, jÔ que não consigo encaixar no meu conhecimento prévio (jÔ que não hÔ uma explicação aqui) que elas coexistam.

Julia é uma personagem chata, sem motivação, forçada e totalmente Deus Ex Machina. Sem carisma algum mesmo. O que é uma pena porque no início eu realmente achei que ia odiar o padre e me apaixonar por ela.

Faltou coragem de matar alguns personagens. Apesar da última morte eu ter tirado o chapéu (ele acertou muito nela), achei que foi pouco.

O vilĆ£o Ć© fraco e bobo. Cara que frustração do caralho. Triste, bem triste. O combate final me fez ficar balbuciando: “ahhh nĆ£o... termina assim nĆ£o... ah nĆ£o....”

A resolução do mistério também achei que foi um pouco fÔcil demais. Não é ruim, eu só esperava mais. Fica aquele gostinho de que tu sabia que podia ser melhor.

O Epílogo não acrescenta nada na história, é simplesmente uma insinuação de se criar uma brecha para um próximo livro.

Tem personagens demais. Referencias a cultura pop demais. Infelizmente desenvolvimento de menos. Esse Ć© um daqueles casos onde eu queria que o livro fosse maior, justamente para ver toda essa gama de mundo + personagens mais trabalhados e melhor explorados.


Confesso que gostei bastante de todas as alfinetadas a igreja e principalmente as cenas mais bizarras. O autor não economizou na bizarrice e isso além de corajoso é louvÔvel.

A obra se passa no Rio de Janeiro e Ć© gostoso ver tantas referencias a lugares que eu jĆ” estive ou jĆ” passei. Ɖ uma viagem divertida que vai do subĆŗrbio a zona sul.

A dentista Fernanda(FĆŖ) Ɖrica tem um nome incrivelmente sensacional hahahah.


No geral é uma obra boa e divertida, tem um certo humor mórbido sensacional e excelentes cenas de gore explicito para usar nas minhas mesas de Kult. O horror e o suspense deixam a desejar, mas para quem gosta de protagonistas fodões e badass vão ter em Cipriano um prato cheio. JÔ aqueles apaixonados por uma salada sobrenatural vão se divertir vendo de vampiros a fadas do dente e até a dragões chineses.

Ɖ um livro que vale a pena experimentar e ver essa nova roupagem gostei mais da primeira parte que da segunda, mas isso nĆ£o tira seus mĆ©ritos nem seus demĆ©ritos. O livro passa na mĆ©dia com uma certa folga rs.

Deuses CaĆ­dos - Gabriel Tennyson
Nota: 8/10

domingo, 27 de maio de 2018


Falar de PKD é sempre muito fÔcil, difícil é falar algo que não tenham dito ainda.
PKD é sem dúvida um dos maiores nomes da FC moderna, suas obras são bem conhecidas e inspiraram diversos filmes e series de TV.
Sonhos elétricos é uma coletânea de contos que inspiraram a série da Amazon.

Sendo bem sucinto.
NĆ£o gostei apenas do conto “Autofab

Os que mais gostei foram:
Humano Ć©” e “Foster, vocĆŖ jĆ” estĆ” morto.

Falarei um pouco deste Ćŗltimo, que entre os dois foi o que mais gostei.

Ele trata basicamente do uso da guerra como ferramenta para criar necessidade de certos produtos nas pessoas. Claro que isso jĆ” foi usado antes (1984, por exemplo), mas a forma como Ć© explorada no conto Ć© sensacional. Uma clara crĆ­tica ao consumismo desenfreado durante a guerra fria.
A genialidade nĆ£o estĆ” em “prever” um futuro, atĆ© porque o conto foi escrito em 1955 quando esse problema era presente, mas sim em esfregar na nossa cara como algo que existia naquela Ć©poca ainda persiste atĆ© hoje.

Ɖ possĆ­vel ver diversas crĆ­ticas ao capitalismo, principalmente neste conto (mas tambĆ©m em outros). PKD usa de suas realidades para fazer a gente pensar, como toda boa obra de Scifi. SerĆ” só exagero ou aviso?
Como dizem os sƔbios: REFLITAM....

O conto Ć© gratuito e estĆ” em DomĆ­nio PĆŗblico, vale a pena ler.

As introduções dos roteiristas da série dão realmente um charme a mais, apesar de nem todos os comentÔrios serem interessantes.
Abaixo segue um exemplo de bom trabalho.
Ɖ claro que o negócio Ć© este mesmo: a obra de PKD sempre vai ser relevante, porque ele via o mundo e as pessoas a seu redor com clareza Ć­mpar. Ele pensava e escrevia sobre a humanidade com precisĆ£o extraordinĆ”ria e, embora as circunstĆ¢ncias externas estejam em constante mudanƧa, esses atributos fundamentalmente humanos continuam sendo estagnados de uma maneira ao mesmo tempo linda e aterradora. O cinismo avanƧa, mas tambĆ©m a empatia o faz e, no mundo de PKD, esses dois atributos seguem de mĆ£os dadas, apoiando e combatendo um ao outro em igual medida.E, claro, ele esgueirou tudo isso sob o pretexto de ficção cientĆ­fica sensacionalista, atiƧando-nos a acreditar que talvez isso tudo seja apenas fantasia. Acontece que só depois que o conto acaba e damos mais uma conferida no mundo Ć  nossa volta Ć© que percebemos: tudo Ć© completamente verdade. -  Kalen Egan e Travis Sentell (Roteiristas da sĆ©rie)

Não gostei da tipografia. Prefiro a que a Aleph usou nos livros do Scalzi, mas isso é só uma frescura pessoal.

Listagem dos contos:
Peça de exposição
Autofab
Humano Ć©
Argumento de venda
O fabricante de gorros
Foster, vocĆŖ jĆ” morreu
A coisa-pai
O planeta impossĆ­vel
O passageiro habitual
O enforcado desconhecido

Sonhos ElƩtricos - Philip K. Dick
Nota: 8,5 / 10

quinta-feira, 17 de maio de 2018


Um clƔssico Ʃ um clƔssico!

Difícil falar algo que alguém jÔ não tenha dito, ainda mais se tratando desse livro. O livro é muito bom sim. Curtinho, dÔ para ler em 1 dia.
Não considero uma obra de terror, mas é um excelente suspense. A escrita é rÔpida e sem enrolação.

Duas coisas me incomodaram bastante.
  • Lila Ć© um daqueles personagens que parecem ter lido o roteiro. Ela sabe de tudo e sempre acerta. Ela sempre imagina exatamente o que precisa. Sim, isso Ć© bem comum pra Ć©poca do romance mas sempre me incomoda.
  • Logo no fim, quando Lila estĆ” no porĆ£o, ela abre a porta que sempre esteve trancada. Achei meio caĆ­do tb.

O filme, que também é um clÔssico é uma excelente adaptação, o próprio Hitchcock diz que o filme é basicamente o livro. O livro como sempre te dÔ aquela visão interna que o filme não consegue dar e por isso merece ser apreciado.

Leia o livro, veja o filme e assim como a maioria aproveite para amar odiar Norma(n) Bates.

Psicose - Robert Bloch
Nota: 8/10

Finalmente depois de uma série de livros não tao bons, minha senoide volta a subir.

Hex é um livro fora do comum, diria até que bem original. Conta com alguns percalços mas num geral é um livro muito legal e que me deu muitas ideias pra sessões de Horror. Apesar de evitar comparações, ele não é um SK.

A história do livro conta sobre uma cidade amaldiçoada, onde lÔ vive uma bruxa e se você chegar muito perto algo ruim acontece, e o autor vai te mostrando como é a vida das pessoas que precisam conviver com essa maldição e esse segredo.

O livro é basicamente um livro de horror. Pense em um filme de horror adolescente. A estrutura do livro lembra bastante esse tipo de coisa. Temo cortes de câmera, cenas e tudo mais. O terror sonda poucas partes do livro, o bicho pega mais nas descrições bizarras e loucas do autor. A própria bruxa em si fica mais como pano de fundo. O mote da história não é a vida dela e sim a vida das pessoas daquela cidade que CONVIVEM com a existência dela. Você não tem a visão dela, não tem muita informação sobre o passado dela, justamente pq não, o livro NÃO é sobre ela.

Cenas fortes e bizarras não foram economizadas. Se você curte essa bizarrice, é um prato cheio, você vai apreciar!


Uma coisa que me incomodou bastante foram algumas pontas soltas deixadas de forma desnecessÔria. Certas coisas eu não me importo de não saber, mas algumas eu quero saber SIM. Essa curiosidade forçada que alguns autores deixam é um golpe baixo e sujo na minha opinião.

Em certos pontos ele me lembrou Mestre das Chamas de Joe Hill, pois nesse livro ele basicamente trata a decadĆŖncia da humanidade. Uma merda federal aconteceu, como vocĆŖ acha que a humanidade vai reagir? Preciso dizer que vai dar merda? 

Confesso que achei os personagens mal trabalhados tambĆ©m. Ɖ tudo muito raso.

O final pecou pra mim. Conforme os últimos capítulos chegavam eu jÔ sabia que ficariam varias coisas abertas, mas a forma como o livro termina não teve um punch. Eu esperava mais. Eu mesmo imaginei algumas formas alternativas muito boas, mas geralmente os autores não tem culhao (nem obrigação, claro) de fazer.

Vale salientar que o autor deve ter um fetiche especial com tetas, sim, mamilos aparecem bastante no livro.


Spoiler alert!

Não espere unicórnios, ursinhos carinhosos ou alguém salvando todos no final. Esse livro, como todo bom filme ruim de terror é sobre derrocada e acredite, aqui tudo vai ladeira abaixo MESMO. Se você esperava uma história que vai te causando aquela agonia lenta, aquela claustrofobia, não vai ser aqui. Não me entenda mal, tudo isso você vai sentir, só não vai ser de forma lenta e nem devagar. Eu li em poucos dias e conforme ia entrando nesse mundo eu ia ficando preso.

Os capítulos finais são desgraças atrÔs de desgraças.

Se vocĆŖ conhece os estilos de RPG acho que assim como Lotfp ele se encaixa bem no conceito de Weird.

Eu gostei do livro e concordo que ele podia ser melhor aproveitado, apesar de não saber dizer como. Ele funciona ao que se propõe. Como disse no início, não é um SK, não são personagens incríveis e nem uma viagem dentro da psique humana, e se você não esperar isso dele, acredito que, assim como eu, você vai curtir essa viagem doida também.

HEX - Thomas Olde Hevelt
Nota: 8/10

terƧa-feira, 24 de outubro de 2017


Esse é pra mim um daqueles livros difíceis de classificar, e digo isso desde o estilo literÔrio até a uma opinião de como foi a leitura.
Acho que chego mais perto se o chamar de Complexo. O livro é sobre um romance sem necessariamente se ter um romance, o mesmo só de fato acontece bem mais para o meio, porém é basicamente sobre a relação dos protagonistas, que vivem um romance. Confuso? Talvez, mas entrando nesse mundo tudo passa a fazer sentido.
Eu particularmente não consigo chamar de ficção cientifica nem de fantasia, mas sendo justo nem o livro se classifica assim. Ele é um Romance, fato, mas com elementos dos outros dois estilos num combo que se encaixa muito bem. A autora soube pegar particularidades e elementos de cada estilo e usar a seu favor.
Mesmo mantendo uma qualidade muito boa, algumas coisas talvez pudessem ser melhor apresentadas. Eu achei algumas partes desanimadoras. O livro, para mim, também não conseguiu manter o ritmo, comecei devorando ele e o mantive assim até quase 70% do livro, onde ele se perde um pouco mas nos capítulos finais retoma.

Com fortes críticas a uma sociedade entrando em apocalipse (Outro livro que trata desse tema é Mestre das Chamas - Joe Hill), a autora apresenta como, em dois lados disputando pela "justiça e salvação" do mundo, ambos podem ser igualmente destruidores e cruéis. O tal "Desfecho" proposto pelos magos me lembrou bastante o "Projeto de Instrumentalidade Humana" de Neon Genesis Evangelion, não porque sejam a mesma coisa (definitivamente não são), mas pelo seu "uso".

O livro vai trazer a tona um belo duelo sobre magia x ciĆŖncia, que pode nos fazer refletir sobre o tema, mas nĆ£o o explora tanto quanto poderia, no fim tudo se resolve bem rĆ”pido.  
O Capricho na arte e ilustrações na parte interna da capa e contra capa são de um trabalho sem igual. Morro Branco mandou MUITO bem.

Outros pontos negativos que encontrei foram:
- Os pais tanto de patrƭcia quanto Laurence me parecem pessoas sem personalidade, extremamente influenciƔveis e sem um motivo aparente, achei raso demais. Eles parecem ser pessoas irreais devido a necessidade do roteiro, me decepcionou bastante.
- A atração no primeiro momento quando eles sĆ£o adultos me parece muito forƧada e sem veracidade. Como a historia seria num mundo “atual” Ć© difĆ­cil pensar que alguĆ©m seja assim ao rever uma pessoa que nĆ£o vĆŖ a mais de 10 anos, só pq eram amigos sente frio na barriga? Serio? Ou sera que eu que jĆ” estou morto por dentro e nĆ£o tenho mais sentimentos rs?
- Outra coisa foi uma pessoa, independente de sua profissão especifica, conseguir se passar e fingir de pedagogo para assumir a direção de um colégio por quase 1 ano e ninguém desconfiar é demais pra mim... isso soou absurdamente piegas. Sem contar o fato de que esse personagem, DEVIDO A SUA PROFISSÃO, podia resolver seus problemas em 1 dia. Achei que esse personagem foi tão mal usado que o livro funcionaria melhor sem ele.
- Infelizmente o livro perdeu um pouco do ritmo para mim por volta de uns 70% dele, uma pena pois seriam momentos chaves para a historia, mas não se mantém, perto dos capítulos finais tudo volta ao normal e você não consegue parar de ler até terminar.
- O final me pareceu um pouco piegas. NĆ£o estou dizendo que foi necessariamente ruim, mas achei muito simples, esperava um pouco mais.
- A diagramação do livro ficou bem ruim. Diria quase um desperdício de papel. Com margens muito grandes sobram espaços vazios que poderiam ter sido mais bem aproveitados e diminuído o livro. Nessa escolha a morro branco mandou mal.

Comparativo entre diagramaƧƵes… Ć© possĆ­vel ver que muito espaƧo foi perdido.

No geral é um livro divertido, uma leitura rÔpida e fluida que vai te sugar quase que de uma vez só até a metade. Os personagens são bem descritos e interessantes, o romance começa sem graça mas depois você passa a torcer para que dê tudo certo, afinal de contas, por pior que o ser humano seja, ele sempre vai precisar de mais amor!


Todos os PƔssaros no CƩu - Charlie Jane Anders
Nota: 8,5/10

#bookreview #morrobranco #todosospassarosnoceu

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Sei que andei um pouco sumido, mas alguns compromissos pessoais andaram pegando e eu precisei atendĆŖ-los.

Tarde, porém não mais tarde, trago minhas impressões dessa obra do SK que terminei de ler jÔ tem um tempinho.

Essa versão de A Hora do Lobisomem chama atenção absurdamente graças ao lindo trabalho que a editora fez, muito mais até que pela história, que é simples e não das melhores do Grande Estevão Rei.

Falando mais um pouco do trabalho editorial feito aqui. Tudo é lindo! O material da capa passa uma sensação de emborrachado, a cabeça do lobo é em alto relevo, as ilustrações internas são sensacionais e no final do livro ainda temos ilustrações feita por artistas brasileiros, destacando suas cenas preferidas.

Realmente é um trabalho que parece ser de fã para fã.

Falando agora da história do livro, jÔ temos aqui um problema. Eu não consigo chamar normalmente ele de livro. Parece muito mais um conto, a história é bem curtinha e objetiva mesmo.

Ao longo de 12 meses vão acontecendo mortes estranhas na cidade, cada mês é um capitulo e cada capitulo tem poucas pÔginas, cerca de duas a quatro. Chegando no último mês o mistério é revelado (acho que o próprio título do livro jÔ revela quem anda matando todo mundo, mas não vou falar pra não ferir os sentimentos de ninguém rs).

O que mais me agradou no livro, foi o protagonista. Temos uma crianƧa cadeirante resolvendo os problemas que os outros nĆ£o tinham coragem para resolver. Pode parecer estranho, mas leia e vocĆŖ vai ver que o menino nĆ£o tem a “forƧa do protagonismo”, ele só usa de sua inocĆŖncia e seus medos infantis para tentar resolver e proteger aqueles que ele ama. As descriƧƵes grĆ”ficas de algumas mortes tambĆ©m sĆ£o de criar arrepios desconfortĆ”veis de alegria. Um prato cheio para quem curte.

Não temos personagens tão bem definidos, mas temos aquelas apresentações de pessoas podres, coisa clÔssica do King, por exemplo um marido que bate na mulher sem ter um porquê.

Por ser uma história pequena, ela nĆ£o te fascina nem te desaponta, ela fica na margem do “OK, legal”! Se tratando do SK, sabemos que o OK jĆ” Ć© bem acima da mĆ©dia geral.

Leia, conheça o jovem Marty e veja se você consegue descobrir quem estÔ por traz de A hora do Lobisomem. (ok... o segredo nem é mantido por tanto tempo, mas vai lÔ descobrir kkkk).

A Hora do Lobisomem - Stephen King
Nota: 8/10



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Finalmente finalizei essa obra.

Posso dizer que foi uma viagem bem interessante essa ao acompanhar o Monge em sua jornada levando duas relƭquias interessantƭssimas atƩ o reino da FranƧa.

Pontos altíssimos do livro são sem dúvidas as ilustrações lindas, uma capa linda e uma diagramação de dar inveja a muito livro de editora grande por aí. O livro é todo cheio de 'mimos', como as espadas ao lado de cada pÔgina e capitulares especiais no inicio de cada capitulo.

Esse livro, preciso dizer que tem uma das características que mais admiro em literatura: uma grande quantidade de capítulos. Essa estruturação sempre me agrada e jÔ ganha pontos comigo.

Os pontos de vista alternam ao longo do livro e isso Ć© feito de forma bem tranquila, nĆ£o se sente nenhum impacto com isso. As cenas de batalhas sĆ£o realmente interessantes. 

Curti muito fazer essa leitura ouvindo Cantos Gregorianos, isso elevou a experiencia a nƭveis inesperados, principalmente nos capƭtulos que se passam dentro do monastƩrio, eu realmente recomendo que faƧam isso.

Dois personagens me cativaram, o primeiro me ganhou logo na primeira parte ao cometer um pequeno ritual de tortura, jĆ” mostrando sua personalidade e ao que veio. Achei tal cena sadicamente bem escrita.

A segunda foi a bela rainha das Sequoias, não só pela linda ilustração que jÔ me ganhou de cara mas pela atitude que ela teve, onde realmente me pegou de surpresa.

A trama segue numa narrativa bem fluida e interessante, em vƔrios momentos eu nem percebi as paginas passarem.

Contudo nem tudo são flores, e sendo justo tanto comigo (como leitor e cliente) quanto com qualquer pessoa que esteja lendo o que escrevo, listarei abaixo as coisas que não me agradaram.

Pontos negativos:
Algumas coisas me incomodaram, mas não de forma tão gritante, apenas uma estranheza como por exemplo: Alguns encontros aleatórios durante a viagem que não fazem diferença para a história, Todos falam a mesma língua, mesmo se utilizando de lugares reais como Grécia, França e etc, se comunicar não é um problema para ninguém.

Agora os pontos que mais me chamaram atenção negativamente foram:

- O protagonista Ʃ apresentado como um sexagenƔrio, um monge que jƔ vivou mais de 60 primaveras, porƩm sua personalidade mostra um homem de anseios de um jovem, muitas atitudes dele parecem a de um jovem inconsequente, isso me incomodou bastante.
- Durante o próprio livro é dito que teria outro caminho a se seguir, o que facilitaria tudo, porém o grupo escolhe o caminho sem um porquê aparente, mesmo todos os personagens afirmando que o outro caminho seria melhor. Fiquei até preocupado se eu não perdi tal explicação ao longo do livro.
- O romance do livro me pareceu bastante forƧado e completamente desnecessĆ”rio, tanto que nĆ£o chegou nem a cativar. Infelizmente no momento que os dois se uniram eu jĆ” imaginei que isso aconteceria e infelizmente tive razĆ£o. Seria muito mais interessante manter a postura de um monge jĆ” ‘derrotado’ no alto dos seus 60 anos apenas se dedicando a sua missĆ£o.
- O final do livro definitivamente não me agradou. As ultimas 100 pÔgs. perdem o ritmo que o autor vinha mantendo com maestria e se torna uma leitura arrastada, diluindo uma batalha que deveria ser o Ôpice mas termina sem emoção e em poucas pÔginas.

Gostaria de salientar que esse Ć© o primeiro livro do autor e pra um livro de estreia Ć© um livro muito bom. Em alguns momentos chegou a me lembrar a escrita de grandes mestres como Cornwell. Ɖ uma leitura fluida e agradĆ”vel, extremamente recomendĆ”vel. Vale a pena prestigiar autores nacionais, para incentivar a evolução dos mesmos. Acredito que a pratica leva a perfeição e jĆ” fico ansioso para o próximo romance do autor, pois vejo grande potencial.

Monge Guerreiro - RƓmulo Felippe
Nota: 8/10


domingo, 2 de julho de 2017


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Confesso que eu acho que esperava mais desse livro. Não posso dizer que ele é ruim, muito, mas bem longe disso mesmo, ele só é difícil de classificar. As tramaspolíticas são sensacionais, na verdade o livro é basicamente só isso, talvez esse seja seu maior defeito. As sacadas políticas são deliciosas, mas deixam aquele gostinho de que falta alguma coisa.
Com certeza vou querer ler o resto da trilogia, espero que cresƧa ainda mais em qualidade. Uma coisa Ʃ certa, potencial pra isso tem.
Um ponto mais que positivo, vai para a personagem principal, que vive sendo menosprezada por ser mulher e jovem, mas que personagem sensacional. Ela nĆ£o se deixa abalar e aproveita de toda sua inteligĆŖncia e calculismo pra revirar o jogo a seu favor. Ela nĆ£o tem o poder do “protagonismo” e sim uma inteligĆŖncia admirĆ”vel por vĆ”rios outros personagens.
Outra coisa que me agradou demais foi o fato de termos uma personagem feminina excelente e que foi desde sempre a ideia original, não foi uma mulher por ser uma imposição da sociedade, vide a época do livro, mas sim por um desejo dos autores desde sempre. Isso dÔ ainda mais poder a Mara e tempero a toda sua história.
JÔ algo que me incomodou, é que normalmente quando leio histórias de fantasia que tem um mapa, gosto de ir lendo e conferindo o mesmo, tentando absorver ainda mais do mundo que me é apresentado, mas aqui o mapa só serviu pra enfeitar a parte interna do livro. Talvez tenha sido só comigo, mas apesar de ser um belo mapa (temos ele colorido e p&b dentro do livro) achei que ele mal serviu pra alguma coisa.
- Pontos Fortes
Tensão constante
Muita Intriga
- Ponto Fraco
Mapa só de enfeite
A Filha do ImpƩrio - Raymond E. Feist & Janny Wurts
Nota: 8,5/10
#bookreview

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Foi uma feliz surpresa esse livro... Bem aquelas coisas de leitura pra um domingo chato, sabe como Ć©?
Ɖ um livro rĆ”pido e curto, porĆ©m interessante. A forma como a história Ć© contada ta sempre te instiga do a ir ao próximo capĆ­tulo entender um pouco mais sobre o que acontece com aquele sujeito no cativeiro.
O final é de fato um pouco clichê, mas ao chegar nas últimas pÔginas são tantos clichês possíveis que pelo menos eu não descobri qual deles era até o final.
Vale a pena a ler. Me divertiu. Passou o tempo e como dizem por aĆ­, nem tudo precisa ser uma obra prima, nĆ£o sendo ruim e sendo bom jĆ” ta bom kkkkk.
Algo que me incomodou bastante foi o uso exceeeeeeeessivo de referências. Sério elas estão em todo o lugar e as vezes mais referências do que história. Parece um livro feito pra adolescentes que amam essas coisas porém com uma pegada um pouco mais adulta que talvez não agradaria a adolescentes.


Nota 8/10

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quarta-feira, 12 de abril de 2017


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O grande lance de Stephen King pra mim, é a forma como ele conta suas histórias e não necessariamente a história em si. Cujo não é o Nobel de literatura, não vai ser a história mais incrível, mas a forma com que seus personagens são tratados, isso sim é que te ganha.
Vc fica preocupado com os problemas que o cara tem na empresa; vc tem raiva do marido abusivo que bate na esposa; vc fica querendo ajudar a crianƧa com medo do escuro...
Tudo isso culmina numa empatia com os personagens, e esse acho que sempre foi o trunfo de King.
Confesso que eu devia ter lido ele antes, mas paguei minha dĆ­vida, mesmo que tardiamente.

Vale ressaltar também, que pude finalmente fazer as referências que Joe Hill absorveu do Pai, em Cujo é bem nítida a relação com o Amaldiçoado, por exemplo.

Cujo é um clÔssico, e como quase todo bom clÔssico, merece ser lido. Não espere seres sobrenaturais, vampiros, lobisomens, demÓnios ou algo do tipo; Cujo entrega o que propõe de sua maneira justa e direta, o medo em sua essência e de qualquer fonte (mesmo as mais simples).

P.A.
Cujo – Stephen King
Nota 8,5/10