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Um pouco da minha maluquice, com um pouco disso aĆ­ mesmo.

terƧa-feira, 22 de maio de 2018


Misture Asimov com Philip K Dick, insira cenas Ôgeis cheia de robÓs, uma escrita Ôcida, Ôgil e divertida; bata tudo com uma boa dose de thriller policial e recheie com pensamentos filosóficos.
Adicione uma baita capa foda como cobertura.

Pronto, isso resume bem esse livro.

Scalzi jĆ” Ć© bem conhecido lĆ” fora justamente por esse seu estilo de escrita bem diferente do convencional.

A história em si nĆ£o Ć© nenhum primor de inovação. O livro Ć© quase como que uma homenagem a grandes nomes da FC e algumas coisas da cultura pop. O livro Ć© cheio de referĆŖncias, na verdade elas sĆ£o bem explicitas mesmo, e isso nĆ£o estraga, só realƧa esse “tempero”.
Os personagens são simples, mas é fÔcil você entrar na onda deles. O mundo é melhor trabalhado que os protagonistas, talvez seja uma característica de thrillers policiais medianos, e apesar disso a história funciona e desenvolve bem.

Com uma escrita Ôgil e empolgante mesmo que o mistério não seja nada fora do comum, ele é interessante o suficiente para saber como esse mundo funciona.
As discussƵes filosóficas que ele levanta tambĆ©m sĆ£o bem interessantes e bem trabalhadas. Ɖ bem capaz de te fazer refletir um pouco mesmo sem perceber, devido a leveza em que tudo Ć© feito, nĆ£o Ć© agressivo como normalmente Ć© feito.

A parte policial é realmente deixa um pouco a desejar, não é ruim, mas não é um primor, apesar de muito bem-feita e construída.
O final do livro eu também achei que poderia ser melhor, não a conclusão do problema e sim a forma como ele foi finalizado. Não sei explicar bem, mas senti que faltou algo mais.

Apesar de ter adorado o livro, sinto que realmente faltou algo aqui. Gostei muito, muito mesmo. Livro leve, divertido e moderno; mas fica um gostinho de quero mais no final. (Isso Ć© bom?)

Recomendo demais a leitura. Grande aposta da Aleph e não vejo a hora de ter mais material do Scalzi por aqui.

Encarcerados - John Scalzi
Nota: 9/10


quinta-feira, 17 de maio de 2018


Um clƔssico Ʃ um clƔssico!

Difícil falar algo que alguém jÔ não tenha dito, ainda mais se tratando desse livro. O livro é muito bom sim. Curtinho, dÔ para ler em 1 dia.
Não considero uma obra de terror, mas é um excelente suspense. A escrita é rÔpida e sem enrolação.

Duas coisas me incomodaram bastante.
  • Lila Ć© um daqueles personagens que parecem ter lido o roteiro. Ela sabe de tudo e sempre acerta. Ela sempre imagina exatamente o que precisa. Sim, isso Ć© bem comum pra Ć©poca do romance mas sempre me incomoda.
  • Logo no fim, quando Lila estĆ” no porĆ£o, ela abre a porta que sempre esteve trancada. Achei meio caĆ­do tb.

O filme, que também é um clÔssico é uma excelente adaptação, o próprio Hitchcock diz que o filme é basicamente o livro. O livro como sempre te dÔ aquela visão interna que o filme não consegue dar e por isso merece ser apreciado.

Leia o livro, veja o filme e assim como a maioria aproveite para amar odiar Norma(n) Bates.

Psicose - Robert Bloch
Nota: 8/10

Finalmente depois de uma série de livros não tao bons, minha senoide volta a subir.

Hex é um livro fora do comum, diria até que bem original. Conta com alguns percalços mas num geral é um livro muito legal e que me deu muitas ideias pra sessões de Horror. Apesar de evitar comparações, ele não é um SK.

A história do livro conta sobre uma cidade amaldiçoada, onde lÔ vive uma bruxa e se você chegar muito perto algo ruim acontece, e o autor vai te mostrando como é a vida das pessoas que precisam conviver com essa maldição e esse segredo.

O livro é basicamente um livro de horror. Pense em um filme de horror adolescente. A estrutura do livro lembra bastante esse tipo de coisa. Temo cortes de câmera, cenas e tudo mais. O terror sonda poucas partes do livro, o bicho pega mais nas descrições bizarras e loucas do autor. A própria bruxa em si fica mais como pano de fundo. O mote da história não é a vida dela e sim a vida das pessoas daquela cidade que CONVIVEM com a existência dela. Você não tem a visão dela, não tem muita informação sobre o passado dela, justamente pq não, o livro NÃO é sobre ela.

Cenas fortes e bizarras não foram economizadas. Se você curte essa bizarrice, é um prato cheio, você vai apreciar!


Uma coisa que me incomodou bastante foram algumas pontas soltas deixadas de forma desnecessÔria. Certas coisas eu não me importo de não saber, mas algumas eu quero saber SIM. Essa curiosidade forçada que alguns autores deixam é um golpe baixo e sujo na minha opinião.

Em certos pontos ele me lembrou Mestre das Chamas de Joe Hill, pois nesse livro ele basicamente trata a decadĆŖncia da humanidade. Uma merda federal aconteceu, como vocĆŖ acha que a humanidade vai reagir? Preciso dizer que vai dar merda? 

Confesso que achei os personagens mal trabalhados tambĆ©m. Ɖ tudo muito raso.

O final pecou pra mim. Conforme os últimos capítulos chegavam eu jÔ sabia que ficariam varias coisas abertas, mas a forma como o livro termina não teve um punch. Eu esperava mais. Eu mesmo imaginei algumas formas alternativas muito boas, mas geralmente os autores não tem culhao (nem obrigação, claro) de fazer.

Vale salientar que o autor deve ter um fetiche especial com tetas, sim, mamilos aparecem bastante no livro.


Spoiler alert!

Não espere unicórnios, ursinhos carinhosos ou alguém salvando todos no final. Esse livro, como todo bom filme ruim de terror é sobre derrocada e acredite, aqui tudo vai ladeira abaixo MESMO. Se você esperava uma história que vai te causando aquela agonia lenta, aquela claustrofobia, não vai ser aqui. Não me entenda mal, tudo isso você vai sentir, só não vai ser de forma lenta e nem devagar. Eu li em poucos dias e conforme ia entrando nesse mundo eu ia ficando preso.

Os capítulos finais são desgraças atrÔs de desgraças.

Se vocĆŖ conhece os estilos de RPG acho que assim como Lotfp ele se encaixa bem no conceito de Weird.

Eu gostei do livro e concordo que ele podia ser melhor aproveitado, apesar de não saber dizer como. Ele funciona ao que se propõe. Como disse no início, não é um SK, não são personagens incríveis e nem uma viagem dentro da psique humana, e se você não esperar isso dele, acredito que, assim como eu, você vai curtir essa viagem doida também.

HEX - Thomas Olde Hevelt
Nota: 8/10

domingo, 13 de maio de 2018


Infelizmente ainda continua minha falta de ideia e saco pra escrever, mas vou aproveitar e pelo menos citar algo sobre mais um tĆ­tulo.

2001 é uma obra bem conhecida de qualquer fã de sci-fi. Se você não conhece desculpa te falar, mas você não é fã. Sinto muito, sua carteirinha foi revogada.

Se você é fã, muito provavelmente você assistiu o filme do Kubrick e é principalmente com você que vou falar.

Se você não gostou do filme, o livro é BEM melhor e sem aquela lentidão do filme (apesar de ter alguns momentos que vou te falar...). A escrita é gostosa (num geral) e por momentos até agoniante, o que funciona muito bem em alguns acontecimentos. A história é melhor desenvolvida principalmente pq se pode trabalhar o interior dos personagens. Tudo acaba fazendo mais sentido e funciona muito bem como um complemento ao filme, te mostrando lados que o filme não mostra e trazendo mais luz e sentido a outros.

Se você gostou do filme seu maluco do caralho, o livro vai casar ainda mais as histórias e te mostrar coisas de uma forma que o filme não consegue. Acredite, estar dentro da cabeça de alguns personagens é sensacional e muito revelador, algo que o filme não consegue entregar.

Muita gente fala do final do livro... eu achei bem mehh. Pode me odiar por dizer isso.

Continuo achando que Ć© uma obra obrigatória para um fĆ£ de sci-fi, pelo menos pra conhecer os clĆ”ssicos. A imaginação do autor pra uma Ć©poca onde nada daquilo havia acontecido Ć© sensacional. Sem contar que acho que funciona melhor mesmo como um complemento ao filme. Gaste suas horas de vida com os dois e perceba as diferentes nuances. Eu fiz e nĆ£o me arrependi e olha que nĆ£o sou tĆ£o fĆ£ do filme. Vamo combinar que vocĆŖ jĆ” gastou sua vida em coisa pior.

A edição também é muito maneira. Desde o livro que imita um monólito até os contos no final que mostram o material em que a história foi baseada.

Minha recomendação é ler 2001 e parar por aqui. As continuações entram numa viagem de Ôcido psicodélica demais (até pra mim).

2001: Uma Odisseia No EspaƧo - Arthur C. Clarke
Nota:7/10



Confesso andar meio sem saco de escrever e principalmente sem inspiração para tal. Mas, aproveitando para pelo menos deixar registrado minha sensação ao ler esse título.
Shirley Jackson é uma autora bem conhecida e até muito recomendada por autores dos quais sou muito fã, porém, essa obra não foi o melhor começo pra minha pessoa.

Talvez eu seja realmente um completo ignorante desconhecedor de artes do mundo e incapaz de encontrar genialidade (não seria a primeira vez que me falam isso...) mas eu só não consegui encontrar a cereja do bolo aqui.

A história cumpre seu papel ao entregar uma estranheza. Isso realmente ela entrega e SPOILER: Isso é tudo que ela entrega.

A história nĆ£o fecha. Ɖ tipo aquelas piadas mal contadas que nĆ£o tem final e ninguĆ©m ri.

O “mistĆ©rio” que assombra o livro Ć© revelado de forma bem tranquila pela autora e vocĆŖ passa o livro todo buscando a pegadinha.

Mas talvez a pegadinha seja justamente essa. NĆ£o tem pegadinhas.

Ɖ um livro curtinho, nĆ£o Ć© de todo mal, mas Ć© longe de ser bom. Ele Ć© ESTRANHO. Vale ler pra matar a curiosidade e conhecer personagens bem fora do comum. NĆ£o espere nada sensacional e talvez algo ali te agrade.

Preciso ler mais livros desta simpƔtica senhora, pois elogiada sei que ela Ʃ.

Sempre Vivemos No Castelo - Shirley Jackson
Nota: 6/10

terƧa-feira, 17 de abril de 2018


Finalizado mais um. Esse me chamou tanto a atenção que comprei pouco após o lançamento, e adivinhem só? mais chumbo triste.

O Livro é divido em duas partes, e é BEM importante citar isso, mais para frente entenderão o porquê. Não vou colocar aqui a sinopse pois em qualquer lugar é possível encontrÔ-la, mas posso dizer o seguinte, se fosse possível eu leria só a primeira parte.

Pra não destruir somente, vou colocar o que me agradou na leitura:
  • O que eu mais gostei nesse livro Ć© que ele Ć© um livro que trata sobre HUMANIDADE. Sim, ele Ć© um livro HUMANO… algo bem diferente da maioria das obras de fantasia. 
  • O personagem principal da primeira parte Ć© interessante. Ele Ć© 'quebrado'. VocĆŖ compra a briga dele e quer saber mais, conhecer mais.
  • Mesmo com um suspense, intrigas e tramas polĆ­ticas, o foco do livro continua sendo os sentimentos do personagem principal. VocĆŖ acompanha as sensaƧƵes e angĆŗstias e eventualmente atĆ© se sente assim tambĆ©m. 
Essa sensação o autor consegue lhe causar muito bem.. Ɖ quase um estocolmo, onde o personagem tĆ” na merda e vocĆŖ fica tambĆ©m mas vocĆŖ nĆ£o larga pois quer saber mais da história.

Pequeno spoiler
A obra lembra um pouco a história de o último samurai, mais especificamente katsumoto e o imperador. Um oficial dedicado ao extremo e um imperador jovem mal aconselhado..
Pois e…. JĆ” vi isso antes. (mas só na Parte 1, pois a 2.......)

E então, as flores acabam aí, entrando na segunda parte eu me arrependo de ter tido esses sentimentos em relação a primeira.

  • Vamos as crĆ­ticas:

Eu realmente senti que faltou uma construção de mundo. Acho que faltou um mapa e mais detalhes sobre esse mundo. Parece aqueles filmes que focam somente no rosto do personagem e o resto não importa, apenas as emoções do protagonista. As cidades são apenas nomes, assim como as florestas. Você sabe o que é uma mas ela não tem personalidade. Se o autor usasse locais reais pelo menos você faria a ligação. THERE IS NO FUCKING WORLD BUILDING IN THIS SHIT!

O livro conta com uma estrutura de flashbacks. Apesar de não estragar a história, não é uma coisa que eu goste. Eu sempre acho que flashbacks no meio das cenas tiram a fluidez da historia. Não é nenhum erro fatal, mas me incomoda um pouco.

Mesmo com muita ação e algumas reviravoltas o livro consegue ser extremamente lento… contraditório mas real.

A primeira parte ainda Ć© interessante, conta com um suspense que te prende mas a segunda Ć© simplesmente : CHATA.
Foi um sofrimento. O livro passa a levar a humanidade a sério demais e acaba sendo quase um crepúsculo medieval. São muitos sentimentos bobos de romancezinho adolescente. A qualidade cai demais.

Os personagens interessantes ficam apagados. As políticas perdem força. Nem a intriga que se cria na primeira parte é satisfatória, ela se perde e fica boba.

O livro ruma para as últimas pÔginas para concluir a história e o final é sem emoção. Impacto 0.

EngraƧado que vi vĆ”rias resenhas elogiando o livro, ao terminar de ler fui procurar de novo e todas sĆ£o de parcerias com a editora…
Pois Ć©…..

O livro até conta com diÔlogos interessantes. Eu mesmo coloquei vÔrios prints no meu facebook. O autor buscava uma poesia bacana na história, mas infelizmente se perde. Esse livro tem cara de ser primeiro livro, muita coisa pode melhorar, talvez melhore, sucesso pro autor...

Definindo então esse livro em duas palavras.
Parte 1 - com potencial. - Nota 7
Parte 2 - bobo. - Nota 5

Definitivamente eu não lerei a continuação.

O Livro e a Espada - Antoine Rouaud
Nota: 6/10

terƧa-feira, 3 de abril de 2018


Infelizmente o sentimento que mais imperou esse livro foi: Decepção.
Não, ele não é o pior livro nem nada do tipo, mas é que o autor pegou essa trilogia e foi uma escada abaixo.

O livro comeƧa bem, antes da metade perde completamente o ritmo e melhora nos trƩs capƭtulos finais.

O livro é longo demais, cansativo mesmo. São personagens DEMAIS. O livro conta com um apêndice no final com os nomes e origens, e ACREDITE, você vai usÔ-lo mas infelizmente ele não resolve pois mesmo lembrando o nome você não vai lembrar do papel na história de todos eles. Pra piorar ainda mais a situação, são MUITOS nomes parecidos.

Faltou desenvolvimento de vƔrios personagens, outros simplesmente deram um puta upgrade e os protagonistas perderam todo o protagonismo.

Vaelin que era um dos melhores personagens se tornou uma figura apagada.

Lyrna vira do nada uma especialista em guerras, sim ela que sempre foi a princesa e que nunca foi treinada a governar. Ela que no livro anterior era uma de minhas preferidas, nesse livro se tornou chata, seus capĆ­tulos pareciam nunca terminar.

Reva é outro exemplo de 'boost na ficha'. A menina ficou baita overpower e sem razão alguma. Ela não teve evolução, ela simplesmente CHEGOU LÁ. Tipo Goku modo Deus.

O final Ʃ fraco e sem impacto. AtƩ o grande inimigo fica bobo no fim e perde sem um clƭmax.

Acho que o autor se perdeu no mundo que ele criou e depois ficou difĆ­cil domar.

Mas tem alguns pontos positivos. O livro Ʃ cheio de frases reflexivas, eu mesmo andei postando vƔrias essa semana.

Por ter encontrado uma resenha que simplesmente transcreve tudo que eu achei, ao invƩs de escrever a mesma coisa, colocarei aqui abaixo (com os devidos crƩditos).

Faltou algo. Muito maior do que o sentimento de decepção - nĆ£o acho que de fato me decepcionei - mas faltou alguma coisa. Talvez vĆ”rias algumas coisas. 

Fui alertada de que este livro nĆ£o era bom e que a maioria das pessoas se decepcionaram muito com ele. Me preparei ao mĆ”ximo para essa leitura e comecei ela sem nenhuma expectativa, apenas pretendendo apreciar a história, me despedir dos personagens que aprendi a gostar tanto e torcer para ter as principais questƵes respondidas. 

Apesar da leitura incrivelmente arrastada, este livro nĆ£o Ć© de todo ruim. Ele oferece a nós o desfecho da história de Vaelin e cia, e explica a maioria das dĆŗvidas que surgiram ao longo da trilogia, apesar de ter deixado alguns pontos abertos. PorĆ©m, Ć© um livro muito abaixo quando comparado Ć  Canção do Sangue e O Senhor da Torre. 

Não tive aquele sentimento gratificante ao terminar uma série. Respirar aliviada e querer abraçar o livro. A minha reação foi intrigante, como se... estivesse faltando algo. Não me senti convencida pela forma como a história foi contada.

O primeiro terƧo do livro foi positivo, direto e sem enrolação. Me pegou atĆ© um pouco de surpresa, porque imaginei que aquilo levaria mais tempo para acontecer. Este inĆ­cio me deu algumas esperanƧas de que o livro poderia ser eletrizante e mais uma vez me segurei ao mĆ”ximo para nĆ£o aumentar as expectativas. Mas o que aconteceu depois, foi que a história se tornou entediante, arrastando-se assim atĆ© o final. 

NĆ£o que o livro nĆ£o tenha muitas batalhas, aliĆ”s, ele Ć© cheio delas. No mar e em terra. Mas aquelas que importam de verdade, que me deixou apreensiva e com uma pontada de medo, com exceção do inĆ­cio, nĆ£o aconteceram. Um ponto inegĆ”vel Ć© que Ryan descreve cenas de guerra com muita qualidade. 

Senti falta da evolução dos personagens. Eles comeƧaram e terminaram da mesma forma, e em alguns casos tiveram um certo declĆ­nio. Como Reva, por exemplo, que era uma personagem que eu gostava tanto e acabou decaindo. Ela protagonizou cenas incrĆ­veis, mas o autor forƧou um pouco a barra com ela, que quis construir uma personagem forte e invencĆ­vel, mas nĆ£o fiquei convencida disso. AliĆ”s, algumas decisƵes que ela tomou me irritaram bastante. Achei o seu arco bem repetitivo. 

Um fato sobre os personagens secundĆ”rios deste livro: Socorro! Quem Ć© quem? SĆ£o tantos, com nomes parecidos, personagens que confundo um com o outro. Faltou um pouco o autor caracterizĆ”-los melhor? Colocar um leve background sobre eles quando apareciam, para que eu pudesse tentar lembrar quem eram? NĆ£o sei. Só sei que me senti extremamente confusa com relação a isso, e sinceramente, nĆ£o me importei com nenhum deles. 

Os pontos de vista de Frentis foram os mais interessantes, os que realmente me fizeram ansiar para chegar logo. Depois de tudo o que aconteceu com ele em O Senhor da Torre, Frentis ainda possui uma espĆ©cie de ligação bizarra com a Elverah, podendo nos dar uma visĆ£o dos planos dela e assim uma diretriz Ć  história. Os acontecimentos envoltos nos POVs de Frentis foram os melhores, porĆ©m o personagem jĆ” foi construĆ­do e nĆ£o sobrou espaƧo para evolução, o que fez dele um tanto previsĆ­vel. 

Não compreendi muito bem alguns pontos relacionados à Rainha Lyrna. Houve tanto foreshadowing sobre a Rainha do Fogo, que eu esperava vê-la com sangue nos olhos, beirando a loucura por conta do que aconteceu com ela e ao seu reino - o que seria extremamente compreensível. Por outro lado, o que vi foi uma rainha muito segura, determinada e mais sã do que quase todo seu exército. Apesar dos seus planos e estratagemas arriscados com relação a guerra, confesso que eu a seguiria sem nem pensar duas vezes.

Durante toda a história deste livro, senti Vaelin nublado, sem de fato reconhecĆŖ-lo de verdade. Apagado, essa Ć© a melhor palavra para descrevĆŖ-lo. Acho que Anthony Ryan criou um personagem incrĆ­vel, que se tornou um dos meus personagens favoritos, e nĆ£o soube aproveitĆ”-lo. Eu fiquei esperando o seu grande momento. Esperando, esperando e esperando... atĆ© que o livro acabou, e faltou algo. O grande sucesso do primeiro livro se dĆ” a acompanharmos a jornada de Vaelin e ele ser um personagem muito cativante. Me esforcei bastante para aceitar a grande mudanƧa do segundo livro, quando o autor decidiu inserir outros pontos de vista, para expandir a sua história. PorĆ©m, foi em A Rainha do Fogo que sua decisĆ£o caiu pelas mĆ£os, e a história deixou de ser tĆ£o prazerosa, com um capĆ­tulo mais maƧante que o outro. 

Sobre o mistério do Aliado e seus seguidores, incluindo Elverah - que na minha opinião foi mais assustadora de que qualquer outro personagem - fomos conduzidos à construção dos inimigos e sua natureza abominÔvel. A explicação com relação a eles foi satisfatórias, embora no final eles tenham sido um pouco descaracterizados, deixando de ser tão temíveis assim.

Ao longo do livro, a história foi perdendo as suas caracterĆ­sticas mais especiais e marcantes, que tanto me fez apreciĆ”-la. Como por exemplo, como foi feito nos dois primeiros livros, a ideia de intercalar os capĆ­tulos do passado com o presente atravĆ©s do relado de Verniers. Isso fazia um certo suspende com como a história se desenrolou atĆ© chegar naquele ponto, e isto tambĆ©m nĆ£o estava presente aqui. 

Foi um livro com a qual me importei com pouquĆ­ssimas coisas. Na verdade eu queria que ele acabasse logo, talvez esperando por um final que elevasse a minha opiniĆ£o sobre o livro, ou talvez porque realmente foi chato na maioria dos capĆ­tulos. 

Em suma, faltou emoção, ritmo, clĆ­max e plot twists, caracterĆ­sticas presentes nos livros anteriores. E o principal, faltou muito Vaelin raĆ­z. 

Apesar de só ter reclamado, nĆ£o foi de todo decepcionante, porque nem isso o livro conseguiu despertar em mim. Foi ok. Mas que nĆ£o me convenceu. E por deixar algumas coisas em aberto e sentir tantas outras faltando, me faz pensar se a história de Vaelin realmente acabou. 

O autor expandiu demais o seu mundo e se perdeu ao ter que concluir toda a história em um único volume, deixando de dar o devido destaque aos seus personagens, que eram o melhor de sua criação.

No mais, A Canção do Sangue é um dos melhores livros de fantasia que jÔ li em toda minha vida. O Senhor da Torre não fica muito atrÔs, é incrivelmente bom. Infelizmente o último livro não conseguiu manter o padrão e se saiu muito abaixo, porém, pela qualidade dos dois primeiros livros, digo que essa trilogia vale muito a pena e é altamente recomendada a todos os fãs de fantasia épica.


Como dito acima, o livro Ć© o mais inferior. O autor pegou a trilogia e fez uma escadinha decrescente em qualidade. Se os outros foram notas 9 e 8 esse termina com um 7.

O primeiro livro da série eu indico com toda a força, mas parem por aí. As sequencias não valem nem o tempo nem o dinheiro de vocês.

A Rainha do Fogo - Anthony Ryan
Nota: 7/10

quarta-feira, 21 de marƧo de 2018

Finalmente concluƭdo esse clƔssico.
Eu não sei muito bem o que falar, por isso serei breve, de verdade.

Ɖ uma obra incrĆ­vel. Isso Ć© fato. Ɖ tambĆ©m uma leitura difĆ­cil. O livro Ć© lento, longo e denso.

Talvez alguns tenham mais facilidade, mas não espere aquelas obras de suspense com cenas Ôgeis e de tirar o folego. O livro trata basicamente da experiência de viver na mente de um assassino.

O livro conta com estudos filosóficos incríveis. Disseca também de forma extremamente curiosa a mente de um criminoso.

Foi uma jornada longa ao lado de Raskolnikov, mas recompensadora. E sim, eu tambƩm achei que o epƭlogo parece ser outro livro rs.

Um ponto muito positivo também vai para a tradução de Oleg Almeida e de Paulo Bezerra (ambas direto do russo). Eu mesclei a leitura entre essas duas e posso dizer que estão excelentes e com um texto muito mais gostoso de consumir. Quando li a primeira vez li em inglês, um inglês mais arcaico e complexo o que me fez abandonar eventualmente. A tradução antiga (acho que da NatÔlia nunes) é de português de Portugal e numa linguagem bem mais rebuscada, isso também não me agradou.

Pequenos Spoilers:
  • LĆŗjin Ć© mesmo um pau no cu.
  • Porfiry Ć© foda nas suas psicologias forenses.
  • Katerina Ivanovna Ć© chata para um caralho.
  • DĆŗnia e Sófia sĆ£o boas de mais para ser verdade, por isso que elas sĆ£o de mentira.

Ɖ obvio que essas poucas palavras nĆ£o fazem jus a riqueza da obra. Me falta tempo e inspiração para tal, mas nĆ£o deixe minha falta de habilidade lhe distanciar. Leia se puder. Leia se tiver coragem. Leia só por ler, mas leia.
A mente não é mais a mesma depois de ler Dostoievski.

Leu? Bem vindo ao mundo novo!

Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski
Nota: 8/10

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Bom, vou tentar falar pouco (não sei se consigo) jÔ que infelizmente eu não tenho nada de bom para falar deste livro.

Na verdade, tenho sim. Esse livro foi viabilizado via financiamento coletivo e a qualidade grƔfica dos extras e o capricho do autor com o envio dos itens Ʃ notƔvel. Desde o envelope atƩ o mapa, tudo muito bem cuidado. O autor informava aos apoiadores semanalmente dos status. Um carinho singular. Pena isso ser tudo de bom...

O livro conta a historia de Douglas, um poeta que desiste de sua arte e para de escrever. Ao encontrar um PÔssaro da morte (aquele que conduz as almas até seu fim), o mesmo lhe informa que ele sofre de uma maldição: O poder de tornar suas poesias verdade. O poeta então entra em uma busca atrÔs da personificação de seu poema, a bailarina Safira, junto de Anatole (o pÔssaro) que perdeu seu réquiem, eles entram em uma aventura atrÔs de seus desejos.

Eu queria poder dizer que o mundo Ć© mal desenvolvido, mas nem isso posso. Ele NEM Ć© desenvolvido. O texto do posfĆ”cio menciona isso “a um mundo sombrio e a um tempo que pode ser um passado distante ou um futuro distópico, no qual velho oeste dĆ” lugar a hospĆ­cios onĆ­ricos, dirigĆ­veis aĆ©reos sobrevoam circos decadentistas e feiticeiras danƧam com tigres blakeanos.”. Isso Ć© complicado pois pode ser uma escolha do autor. Ok, direito de quem escreve, mas para mim nĆ£o funcionou. O próprio prefacio fala sobre as descriƧƵes, senti todas vazias e mal detalhadas. Infelizmente nĆ£o casou.

Falando do autor do prefÔcio. São tantos elogios a essa obra, mencionando que é uma das melhores leituras que ele jÔ teve. Muitos, muitos elogios mesmo... Obrigado, agora são dois autores de fora da minha lista.

Algo que vale ser mencionado Ʃ a linguagem do livro. Propositalmente escolhida pelo autor, o livro Ʃ cheio de frases elaboradas com um lƩxico distinto. O autor diz que a obra foi concebida para ser lida em voz alta. Aos amantes de poesia talvez esse fato agrade.

Outro problema são os personagens sem carisma algum e mal desenvolvidos. Se importar com qualquer um deles é um exercício de apego forçado, pois se depender de suas histórias...

Fantasia Sombria? NĆ£o consegui ver nem fantasia e nem nada de sombrio. Chamar algo de dark fantasy só pq um dos personagens Ć© a ‘morte’ (que nem isso Ć©) Ć© uma ofensa a toda obra dark fantasy, principalmente pq essa ‘morte’ parece um adolescente de franja ouvindo SimplePlan chorando no quarto, tamanho nĆ­vel de drama desnecessĆ”rio.
Claro que não sou o portador da denominação dos títulos, se você quiser chamar uma goiaba de Romance Histórico eu não posso lhe impedir, mas para mim essa obra aqui esta longe de ser um DarkFantasy. Nem dark, nem fantasy.

Ɖ quase um “50 tons de cinza” menos explĆ­cito, com mais romance e tĆ£o bom (sĆ©rio?) quanto.

Ɖ necessĆ”rio fazer um trabalho de cotejo de revisĆ£o, encontrei poucos, mas alguns erros de digitação, espaƧamento e principalmente pĆ”ginas faltando nĆŗmero.

O livro conta com algumas questões filosóficas até que interessantes, porém a leitura arrastada só me dava vontade de terminar logo, então admito que nem isso consegui absorver tanto.

A lição que me fica é: Vou parar de ler obras independentes nacionais. Sério. Vou gastar meu dinheiro com produtos mais bem trabalhados. Dei muita chance a vÔrios, mas pra mim deu por um tempo...
Quer incentivar? Vai na fé... Toda a sorte do mundo e espero que você tenha mais sucessos que eu.
Vou voltar para as obras editoriais porque pelo menos as chances são melhores.

Uma leitura sofrida e arrastada. Um ‘plot’ sem muita motivação e personagens fracos e mal desenvolvidos. Nem o ‘mistĆ©rio’ no final salva. O livro foi mal vendido. NĆ£o Ć© uma fantasia sombria. Funcionaria mais se fosse mais curto como um ensaio de filosofia, mas como literatura infelizmente a história nĆ£o decola.


O RƩquiem do PƔssaro da Morte - Andrio Santos
Nota: 2/10

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018



Apesar de ser um livro que eu conhecia jÔ a bastante tempo, sabia da história, faltava ainda pegar e ler de fato. Que pena que demorei tanto tempo para fazer isso.

Serei breve, falarei mais das sensações que me causou, pois acho que não sou capaz de falar muito dessa obra. Sendo sucinto...



Esse livro derreteu minha mente em muitos sentidos.
Eu entendo que nem todo mundo consiga ler esse livro. Acho que as pessoas não compreendem sua proposta. Ele é de fato lento, sem ritmo e até monótono muitas vezes. Aqui não tem ação, não tem romance, não tem diÔlogos profundos. Pelo menos não até metade ou até uns 60% do livro, aí sim, tudo muda.

O livro ganha ritmo, diÔlogos filosóficos e sua proposta é mais mastigada para o leitor. Isso não significa que o inicio seja ruim, ele apenas é mais sutil e ao terminar o livro você entende o porque de tal fato.



Todo o inicio do livro serve para ilustrar e nos apresentar como funciona a sociedade da Oceania e Ʃ graƧas a essa base que todos os discursos fazem sentido. Durante o inƭcio Ʃ fƔcil se chocar vendo como um poder totalitƔrio pode ser perigoso.

Ɖ impossĆ­vel nĆ£o se pegar refletindo com as conversas de Winston e O’Brien.
Um dos pontos altos são os textos do posfÔcio. A sensação é de que eles fecham de forma surpreendente a obra, tipo aquelas dicas finais no fim de uma longa aula de história.


Acho que sendo justo este livro teria duas notas, uma como literatura e outra como efeito pessoal.

Nota como Literatura: 7/10
Não é um livro fÔcil, seu inicio é bem complicado e alguns personagens são muito caricatos. O livro tem defeitos, mas isso não diminui tanto assim sua qualidade.

Nota para Importância reflexiva/filosófica: 10/10
Como um amigo costuma dizer: “1984 Ć© um livro que devia ser usado nas escolas para incitar o debate”. Concordo. Muito alĆ©m do que uma simples distopia, 1984 Ć© um aviso. Acredito que quem viu somente uma critica ao socialismo perdeu nĆ£o só outras criticas a outras ideologias, mas o mais importante que a obra tem a oferecer.

Ɖ um livro que se tornou atemporal e apesar de ser muito distante de nossa realidade atual, tomara que o aviso tenha funcionado, caso contrĆ”rio, nos vemos no “Quarto 101”.

terƧa-feira, 6 de fevereiro de 2018


Piquenique na Estrada é uma obra que trata do quão pequeno o ser humano pode ser, mesmo no alto de toda a sua arrogância. Livro rÔpido, curto, porém bem denso nas reflexões que ele propõe. Não terão naves voando, alienígenas cabeçudos e verdes e nem nada do gênero. A obra foca no ser humano e em sua mania de se achar melhor.

Uma coisa que eu gostei é que apesar de ser um efeito global eles se focam no micro. A história não pretende contar o que acontece em outro pais, nem mesmo outro estado, o foco é ali, aquela cidadezinha aquele bairro, aquelas pessoas...

Isso Ć© bem diferente do convencional, e para mim esse foi um grande ponto positivo. Nem sempre Ć© preciso salvar o mundo.

Pontos negativos:
  • Muitas coisas ficam em aberto (de proposito, os autores nĆ£o querem responder tudo), muitas mesmo, mas isso me incomoda um pouco. VĆ”rias coisas sĆ£o inseridas na história sem um motivo, pois elas aparecem aquela vez e pronto, nĆ£o faz sentido mais.
  • Achei que foi causado um “Hype” bem forƧado nesse livro. Foi meio que prometido algo que ele nĆ£o entrega (acho que nem almeja entregar). NĆ£o Ć© uma puta obra de FC, nĆ£o tem milhƵes de reflexƵes que derretem a mente. Ele Ć© atĆ© bem sucinto em sua proposta. Tem alguns (sĆ£o poucos de verdade) diĆ”logos interessantes e filosóficos, mas nada alĆ©m.
  • Falando em ser sucinto, o livro Ć© curto, porĆ©m a Aleph nĆ£o foi nada sucinta em sua diagramação. Mais uma vez temos um exemplar com longas margens em branco, fonte grande e pouco aproveitamento de papel. Ouso dizer que se fosse melhor formatado o livro perderia no mĆ­nimo umas 50 pĆ”ginas e consequentemente ficaria mais em conta, justamente se tratando de um livro mais curto.

A sacada do título é algo sensacional e que só fara sentido real para quem leu ou se envolveu com a obra, eu explico aqui, mas só depois de ler o livro é que vai dar aquele estalo na sua mente, acredite.

Um piquenique. Imagine uma estrada no interior, uma clareira na mata, perto da estrada. O carro sai da estrada. o carro sai da estrada e vai atĆ© a clareira. Abrem-se as portas, e sai uma turma de jovens. ComeƧam a tirar do porta-malas cestas com mantimentos, armam as tendas, acendem a fogueira. Churrasco, mĆŗsica, fotos… De manhĆ£, eles vĆ£o embora. Animais, pĆ”ssaros e insetos, que assistiram horrorizados Ć quele evento noturno, saem de seus esconderijos.

Nesse caso, os alienĆ­genas agem como nós em um piquenique. Eles passam pela terra, fazem uma pequena parada e vĆ£o embora largando seu “lixo” e suas quinquilharias para trĆ”s e nós com toda nossa “pequeneza” vamos em cima desse “lixo” como ratos fugindo do esgoto atrĆ”s de algo. De uma forma dentro do próprio livro, a humanidade Ć© como porcos, nĆ£o importa a condição mais cedo ou mais tarde vai encontrar uma lama pra se chafurdar.

Senti tambƩm que rola uma certa semelhanƧa com o filme A chegada, que mostra um pouco dessa nossa pequeneza.

Bem... Com muitas pontas soltas, de forma proposital, esse definitivamente é um livro para te fazer pensar e nesses pensamentos tentar preencher tais lacunas. Não é um livro fÔcil, nem tenta ser e apesar de curto em tamanho, se torna denso em certos níveis filosóficos.

NĆ£o achei nada sensacional, mas Ć© longe de ser ruim. Ɖ um livro interessante e eu recomendo a leitura.

Piquenique na Estrada - IrmĆ£os StrugĆ”tski 
Nota: 7/10